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A primeira coletiva de imprensa do novo ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, teve pontos altos e alguns muito baixos. O que houve de bom pode ser desdobrado em três pontos. Primeiro, ênfase na ciência e no conhecimento médico. Queiroga diferenciou-se imediatamente, pelo contraste entre a ignorância, em mais de um sentido, do general Pazuello, e seu conhecimento médico. Segundo, assumiu compromissos concretos, como aumentar a vacinação até chegar a um milhão de pessoas vacinadas por dia. Falta dizer onde vai conseguir as vacinas. Terceiro, substituir militares por médicos.

Os pontos baixos também podem ser desdobrados em três pontos. Primeiro, a recusa de aceitar, como todo o resto do mundo, que o lockdown é o único recurso disponível no momento. Particularmente no Brasil, que não tem vacinas e se tornou o epicentro da progressão exponencial da doença. Ficou evidente o desprezo — ou desconhecimento — sobre a nota da Fiocruz, de ontem, recomendando 14 dias de lockdown.

Segundo, a tentativa de equilibrar o impossível: a teimosa insistência de Bolsonaro no tratamento precoce, que não existe e a posição médica correta e veraz, de que não há recomendação para esse tipo de tratamento que seja eficaz. Ele deu uma enrolada, encheu o argumento de conhecimento médico, que ele de fato tem, mas pegou mal.

Terceiro, a insistência na transparência, em evidente contraste com a entrevista em si. Primeiro, vigiada por vários ministros. Segundo, dando lugar a uma intervenção enganosa do ministro das Comunicações que, como não assiste ao noticiário das redes que fazem parte do Consórcio de Imprensa que divulga os casos, óbitos, no dia, e pela média móvel, e de vacinações, 1a e 2a doses. Fábio Faria pediu uma ação conjunta para divulgar o número de pessoas vacinadas. Todos nós sabemos que esse número é divulgado diariamente pelo consórcio. Os jornalistas são chamados pelo nome e a mestre de cerimônias avisa logo uma pergunta por jornalista e atenha-se ao tema. Não se viu um jornalista perguntar ao ministro sobre esportes, inflação ou qualquer tema que não fosse saúde. Uma ridícula demonstração de autoritarismo e restrição de transparência.

Uma das perguntas mais importantes, a tentativa de maquiar os dados das secreetarias estaduais de Saúde, com um formulário impraticável que levaria a grosseira subnotificação, ele não soube responder. Não fazia ideia do que se tratava. Enquanto falava, seu próprio ministério emitiu uma nota voltando atrás, por pressão dos secretários. Um vexame. Queiroga só tomou posse ontem, mas vinha frequantando o ministério acompanhado do general que já não era, mas ainda estava. Devia ter se inteirado das questões mais importantes associadas à pandemia.

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