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Abertura sem Allegro
Antes de qualquer coisa, vamos definir de vez quem será o próximo ministro da Saúde, um negacionista travestido de cardiologista. Lauro Jardim publicou uma nota em seu blog, dizendo que Queiroga, em conversas em Brasília, disse que pretendia ir aos hospitais checar se as pessoas estão mesmo morrendo de Covid, seguindo a teoria da conspiração fake inventada por Bolsonaro e manifestado dúvidas sobre a vacina Oxford/Astrazeneca, que é também da Fiocruz, instituição de excelênmcia sob jurisdição do Ministério da Saúde. O ministro-que-será disse que a suspensão de sua aplicação em diversos países europeus deve ser acompanhada com muita atenção. Ele mostra que está atrasado enão lê jornais, nem informes científicos sobre a Covid-19. O incidente dos trombos, coágulos, em número muito pequeno, já foi superado e a vacinação retomada em toda a Europa. Logo, mais um desministro. Preciso muito que o Sérgio Rodrigues chancele esse termo, primeiro usado por Míriam Leitão ao falar do desministro do Meio Ambiente, Afonso Borges não me deixa esquecer. É o único termo apropriado a este nicho de desmiolados que governa o Brasil. Desministros do desgoverno desmiolado. Uma justa aliteração. Aprendi no colégio, lendo Cruz e Souza, na aula de literatura em língua portuguesa, “Vozes veladas, veludosas vozes,/Volúpias dos violões, vozes veladas/Vagam nos velhos vórtices velozes/Dos ventos, vivas, vãs, vulcanizadas.” Beleza pura. Poesia.

Vamos ao ponto do título.
Definição de genocídio
Caudas Aulete, um dicionário clássico: (ge.no. cí.di.o)
sm.
1. Extermínio total, deliberado, de uma comunidade, grupo étnico ou religioso, povo etc.: O genocídio de judeus na Alemanha.
2. Destruição de grande quantidade de pessoas: A Segunda Guerra foi um grande genocídio.

Priberam: dicionário on line que teve por basse o Novo Dicionário Lello da Língua Portuguesa (Porto, Lello Editores, 1999), gosto dele porque registra termos das línguas portuguesas de Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Brasil e Portugal:
ge·no·cí·di·o
(geno- + -cídio)
nome masculino
1. Destruição metódica de um grupo étnico ou religioso pela exterminação dos seus indivíduos.
2. [Por extensão] Exterminação de uma comunidade de indivíduos em pouco tempo.
Palavras relacionadas: exterminação, etnocídio, genocida.

Genocídios reconhecidos na segunda metade do século 20 e no século 21
Burundi (1993) em torno de 150 mil Hutus mortos por Tutsis
Rwanda (1994) 800 mil Tutsis mortos por Hutus
Sudão — Darfur (2003) 400mil mortos
Myanmar (2016) Rohingya 24 mil mortos

Conta de botequim:
A população brasileira com mais de 14 anos é de 161.758.000 = 76% da população total, que está em torno de 211 milhões. Muito bem, 70% da população acima de 14 anos = 113.230.600. Por que 70%? Porque o Bolsonaro diz que não se deve fazer nada até que 70% sejam infectados e a pandemia pare. Deixar a Covid seguir seu curso natural, vai morrer muita gente, diz ele, é daí? É parte da vida. A morte deliberada de pessoas não é parte da vida, é parte dos desvios sombrios da história, como todos sabemos. Até o dia 18/3, tínhamos 11.787.600 casos, que representam 7,3% da população com mais de 14 anos; e 287.795 mortes, 2,4% dos casos. Logo, para termos 70% deste grupo populacional infectados, o equivalente a 113.230.600 casos, teremos 2.264.612 mortos. Isto ceteris paribus, ou seja, mantido tudo mais constante. Pode ser pior, se a taxa de aceleração da exponencial aumentar. Pode ser melhor, se fizermos a coisa certa, como diria Spike Lee. Comparem com os genocídios reconhecidos e respondam: é genocídio ou não?

Leitura recomendada:
Slaughterhouse-Five, no Brasil, Matadouro-5, de Kurt Vonnegut, livro de ficção antibelicista fez 50 anos em 2019, um dos marcos da literatura de ficção dos Estados Unidos e mundial.

O enredo muito resunido: Billy Pilgrim, o protagonista, Vonnegut testemunhou como prisioneiro de guerra, em 1945, a morte de milhares de civis, a maior parte deles por queimaduras e asfixia, no bombardeio que destruiu Dresden. É também um ensaio sobre a ilusão do livre-arbítrio. Leitura muito apropriada ao tempo que vivemos. Vonnegut é um dos grandes autores icônicos de ficção e Matadouro-5 é um livro que captura o espírito da época, o Zeitegeist, embora o mais conhecido dele seja o magistral Fahrenheit 475. Slaughterhouse-Five foi publicado em 1969, ano da posse de Nixon,do último álbum dos Beatles, Abbey Road, Lenon e Yoko na cama pela paz. Uma era psicodélica, dos hippies, dos pacifistas, Apollo 10, a pisada na lua. Vertigem, dor, perplexidade. O Poderoso Chefão saiu em livro. O best-seller de Phillip Roth, outro grande nome da literatura, Portnoy's Complaint ( O Complexo de Portnoy), também, e o pioneiro estudo On Death and Dying (Sobre a morte e sobre morrer) da Dra. Elisabeth Kübler-Ross, resultado do seminário interdisciplinar que ela coordenou sobre a morte e a passagem.

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