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Tomei emprestado o título do livro de Jarred Diamond, Colapso, no qual ele trata da real possibilidade de colapsos civilizatórios em razão de escolhas insensatas.Estamos diante de um dilema terrível, que os especialistas em análise decisória chamam de situação sem retorno. Não voltaremos a menos casos, internações e mortes, se medidas rigorosas não forem tomadas.

A vacina, dizem os epidemiologistas, é a solução, mas não temos vacinas e a vacinação é muito lenta. Não há possibilidade de aumentar a disponibilidade de vacinas no curto prazo porque chegamos tarde no mercado. Com tempo teremos mais chances, porém o que não temos é tempo. Esperar que a doença siga seu curso natural, como quer o insensato Bolsonaro, significaria tolerar algo em torno de 2 milhões de brasileiros mortos.

Vinte e três estados estão em colapso hospitalar e os números de casos e mortes já passaram do intolerável. Não há vagas em UTIs e nem pessoal intensivista qualificado para expandir o número de UTIs. Em vários estados, os estoques de oxigênio estão escasseando e começam a faltar anestésicos, sedativos, analgésicos e bloqueadores neuromusculares, necessários não apenas para intubação de pacientes, mas para manutenção de pacientes entubados sem sofrimento, stress e mortes sob stress. Batemos em todos os limites. Sem tratamento eficaz, sem vacinas e sem UTIs, a única arma que nos resta é o lockdown, o fechamento de todas as atividades, industriais e comerciais, não-essenciais e restrição severa ao uso de transportes e logradouros públicos, por tempo suficiente para queda efetiva e sustentada das curvas de infectados, internações e óbitos por Covid. Foi o que a prefeita de Paris acabou de determinar, em várias áreas da cidade, que ficarão isoladas do restante, diante das evidências de que enfrentam uma terceira onda muito grave.

Não há esperança de mudança de atitude de governo federal. O país tem um ministro da Saúde demitido e um escolhido, ou herdeiro presuntivo, como dizem nas monarquias. Logo nenhum ministro. O ministro-que-será pediu paciência. Não existe mais esta opção. Esperar, hoje, é tolerar um número absurdo de mortes. Os modelos epidemiológicos não escapam à lei de ferro dos números. Qualquer aluno de estatística sabe que uma curva exponencial, como as de casos e mortes em todo os país, é explosiva. Nem se deve falar em recorde, porque é uma lei inexorável do movimento, se deixamos seguir o curso natural da doença, a cada dia os números serão muito mais altos do que no dia anterior.

Se não houver um fator interveniente forte, que interrompa esse processo multiplicativo, não dá nem para descrever o que teremos à frente. O ministro-que-será também falou que o único jeito é usar máscara, lavar as mãos e higienizá-las com álcool-gel, evitar aglomerações. Isto, como disse o Gabeira à Globonews recentemente, até o ascensorista do ministério sabe. O que se precisa é de uma coordenação nacional do lockdown, com fechamento de fronteiras e aeroportos, diretrizes claras e uma atitude de transparência absoluta sobre o real cronograma possível de vacinação, para que governadores, prefeitos e cidadãos tenham clareza sobre o tempo que levará para que as curvas de casos e mortes cedam.

Não creio que o governo federal chegue a isto algum dia. A única saída é a criação de um conselho de coordenação nacional, por iniciativa dos governadores, que padronize as medidas de restrição de mobilidade entre os estados, especialmente em relação a tráfego interestadual e intermetropolitano e a criação pelos prefeitos de uma coordenação metropolitana, para decidir a sincronização dessas medidas.

O prefeito de Campinas propôs essa cooperação aos prefeitos do seu entorno do qual Campinas é o pivô central do apoio hospitalar, diante da situação de colapso. Eduardo Paes, prefeito do Rio, disse hoje, 19/3, que estava em contato com os prefeitos da região serrana e baixada, para propor algo similar. Pediu coordenação estadual ao desgovernador em exercício. Mas, é uma esperança vã, ele já se declarou totalmente alinhado a Bolsonaro, o algoz-mor.

Bolsonaro é incapaz de compaixão, cooperação, corresponsabilidade, coordenação. É o frio coveiro das esperanças nacionais.

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