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A campanha eleitoral oficial começa daqui a doze dias. Nesta semana, mais precisamente no dia 5/9, terminou o prazo para realizar convenções partidárias. No dia 15/9, termina o prazo de registro das candidaturas e no dia seguinte começa oficialmente a campanha. Qual o quadro atual? A campanha começará com a disputa fortemente cristalizada, com Lula e Bolsonaro na frente e uma vantagem média de 14 pontos a favor do ex-presidente. Esta vantagem, na média das pesquisas das três organizações confiáveis — Datafolha, Ipespe e Quaest, se sustenta desde abril.

A cristalização das preferências eleitorais concentra, na média, 77% nos dois favoritos. Portanto, o espaço para avanço dos candidatos com alguma competitividade, Ciro Gomes (PDT), com média de 8% e Simone Tebet (MDB), com média de 3%, é de aproximadamente 20 pontos percentuais, que podem conquistar à medida que se tornem tão conhecidos pelos eleitores quanto Lula e Bolsonaro. Daí em diante, só progridem se tirarem votos dos dois, tarefa dificílima.

Esta eleição presidencial é inédita. Nela qual se enfrentam o ex-presidente mais popular que a Terceira República, iniciada em 1988, já teve e o presidente em exercício, o mais antidemocrático desta infelicitada e jovem república. A lógica inevitável da escolha será baseada no julgamento e na memória. Os eleitores julgarão o governo Bolsonaro e, neste aspecto, o voto terá um inarredável elemento plebiscitário. Também julgarão a aptidão do ex-presidente Lula para voltar ao cargo, pacificar e recuperar as condições de progresso e democracia do país. Confrontarão a memória do impacto dos governos de Lula em suas vidas e as lembranças do que representou o governo Bolsonaro para eles. Os demais candidatos só terão alguma chance, se a maioria dos eleitores julgar ambos os candidatos negativamente e as memórias amargas dos governos de ambos superarem as boas lembranças. Nem preciso dizer que Bolsonaro entra na campanha em desvantagem nas duas dimensões principais que orientarão as escolhas dos eleitores.

Há uma outra novidade que torna ainda mais sem precedentes a eleição de outubro. Não haverá coligações partidárias nas disputas para a Câmara dos Deputados e as Assembleias Legislativas. A cláusula de barreira, ou desempenho, será bem mais exigente. A Câmara é a instituição crítica para a governabilidade. A governabilidade depende da qualidade da coalizão de governo que a pessoa eleita para a presidência da República consiga formar. Quanto menor o número de partidos na coalizão e menor a distância programática entre eles, maior a governabilidade e menor o custo de gestão da coalizão em cargos e verbas orçamentárias. A eleição para a Câmara, portanto, ganha importância capital este ano, inclusive porque o Senado terá renovação de apenas um terço das cadeiras.

Não só o eleitor deveria escolher em quem votará para deputado com os olhos postos na governabilidade, como os partidos deveriam adotar estratégias que dêem prioridade às candidaturas à Câmara Federal, não apenas na alocação do fundo para financiar a campanha, mas principalmente na escolha dos candidatos. Há sinais de que os principais partidos entenderam a maior dificuldade de ultrapassar a cláusula de desempenho eleitoral. Há candidaturas fortes em vários partidos. Ex-governadores e ex-senadores, como Marina Silva (Rede) e Cristovam Buarque (Cidadania), para citar dois que já disputaram a presidência da República. Se tivermos uma Câmara com deputados de ampla experiência e novos entrantes de qualidade e consistência de valores e objetivos, teremos melhores possibilidades de reforçar a debilitada democracia brasileira e formular políticas públicas que gerem mais bem-estar e preparem melhor o Brasil para a transição radical do século 21.

A democracia precisa de governo com condições de governabilidade, capaz de formular, aprovar e implementar políticas públicas de qualidade; e de uma oposição forte o suficiente para fiscalizar o governo e impedir más políticas públicas e abusos de poder. Tudo que não temos hoje. O Brasil vive esta singular situação de não ter governo, nem oposição. Ao contrário, há uma maioria predatória e oportunista no Congresso que apoia o desgoverno e se tornou uma fábrica de políticas públicas ruinosas.

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