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Finalmente, entramos no ano eleitoral. Um ano acabrunhado porque terá que registrar a candidatura à reeleição do pior governante que o país já teve. Ele poderá buscar um novo mandato, se quiser, por causa da escabrosa leniência que o tem beneficiado por encabeçar um governo do inescrupoloso centrão. O primeiro governo do centrão de nossa Terceira República.

Arthur Lira, notório parlamentar do centrão, dedicou seu mandato na presidência da Câmara dos Deputados a livrar Bolsonaro de merecido impeachment por um ou mais das dezenas de crimes de responsabilidade que cometeu. Lira tira proveito político pessoal por sentar-se olimpicamente sobre mais de uma centena de pedidos de impeachment de Bolsonaro. Presta outros serviços ao obscurantismo, tentando passar leis que mudariam as regras do jogo político-eleitoral em desfavor da democracia, da transparência e da competição. Não passaram porque foram barradas no Senado que abriga uma das escassas reservas de bom senso da política brasileira.

A valiosa leniência de Arthur Lira para com os abusos de Bolsonaro, todos capitulados na Constituição como crimes de responsabilidade, encontrou contrapartida à altura na Procuradoria Geral de República. A cegueira seletiva de Augusto Aras ficará registrada nos anais da desmoralização do cargo de topo do ministério público federal. Ara nunca vê os crimes comuns evidentes nos desatinos de Bolsonaro, de seu clã e de seus escudeiros.

A eleição deste ano, no plano federal, não se resume à possibilidade de afastar o governante nefasto que conspirou contra o estado democrático de direito, contra a saúde e o bem-estar do povo e agora trabalha para deixar nossas crianças vulneráveis diante do Sars-Cov-2. Será, também, uma eleição crítica para a governabilidade. Em todas as eleições a governabilidade é posta em questão. Como o foi em 2018, com o resultado que conhecemos: desgoverno, hegemonia do centrão, oportunismo desavergonhado, ocupação do aparelho de estado por milícias ideológicas ou operadores do tráfico político de influências. Este ano, porém, cria-se a oportunidade de um realinhamento de forças partidárias e criação de bases parlamentares para coalizões mais enxutas e homogêneas. Elas são a chave da governabilidade nas mãos de um governante minimamente apto.

Na ruptura eleitoral de 2018, as bancadas partidárias foram miniaturizadas. Ficaram pequenas demais para alavancar coalizões operacionais. Foi eleito um mau político, despepreparado e mal-intencionado. O resultado foi um desastre. Como um tornado gigante, Bolsonaro produziu o desmoronamento do aparelho de estado, o desmanche de políticas públicas vitoriosas, o desmando e a desregulação perniciosa de atividades lesivas ao interesse coletivo, ao patrimônio ambiental e à probidade administrativa. Sua passagem no poder da deixará além de ruínas por toda parte.

A oportunidade para a reconstrução democrática, econômica e social do país depende tanto da defenestração eleitoral de Bolsonaro, quanto da recomposição de bancadas de tamanho suficiente para formar maiorias mais coesas e homogêneas no Congresso. Somente bancadas com estas características podem sustentar coalizões mais estáveis e coerentes de governo. No Congresso de bancadas em miniatura domina o desastrado centrão.

É tarefa que desafia a competência dos partidos, depende de campanhas eficazes para o Legislativo e da persuasão dos eleitores. A proibição de coalizões nas eleições proporcionais e a cláusula de barreira podem ajudar a adensar as bancadas e reduzir a fragmentação. Mas, para que isto ocorra, é preciso que os partidos, especialmente os de vocação parlamentar, dêem prioridade à conquista de cadeiras no Congresso e formem boas listas de candidatos.

Os candidatos aos governos dos estados também são peça importante neste processo, porque têm significativa capacidade de arrastar votos para as candidaturas ao legislativo federal a eles ligadas. Mais até, em condições normais, que candidatos à presidência.

Este ano veremos, também, se a sociedade brasileira e as nossas instituições de defesa da democracia serão capazes de neutralizar as campanhas baseadas em mentiras, desinformação e sórdidos ataques difamatórios. Temos muito a discutir seriamente sobre o presente e o futuro do país. É hora de impedir a campanha suja e guardar os espelhos retrovisores, para que todos miremos à nossa frente.

Esta será uma eleição de chamado à responsabilidade de lideranças partidárias, candidatos, magistrados, formadores de opinião e de eleitores.

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