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A suspensão das emendas do relator pela maioria do Supremo Tribunal Federal deixou os líderes do centrão desarmados. Estão, agora, em frenética busca de um novo truque para continuar a troca de recursos públicos por votos no Congresso. A liminar atingiu o coração da estratégia fisiológica de Bolsonaro e seus parceiros no Legislativo liderados pelo presidente da Câmara, Arthur Lira. Eles precisam do segredo, da distribuição de nacos do orçamento sob a sombra de algum expediente que esconda os destinatários. Por esta razão buscam um outro truque para camuflar o mais descarado toma-lá-dá com dinheiro público que já se fez no Congresso.

Bem feito para os eleitores de Bolsonaro que o escolheram como campeão da moralidade e da nova política. Logo ele, que sempre desprezou o rigor da probidade administrativa e praticou, a vida toda, a mais velha das políticas clientelistas para alimentar seu curral eleitoral. Como os coronéis do passado, retratados por Victor Nunes Leal em seu clássico Coronelismo, enxada e voto, o capitão alimentava seu curral urbano com as benesses que lograva obter no Legislativo. Continua a fazer na presidência o mesmo que fazia como deputado.

Mas, por que a necessidade do manto protetor do segredo sobre suas tenebrosas transações? Afinal, o centrão não tem problema em revelar sua face carcomida de política de antiquário. O sigilo é para esconder deles mesmos como os recursos estão sendo distribuídos. Se os aliados ficarem sabendo do resultado concreto das liberações, o centrão racharia, dividido por mágoas e ressentimentos produzidos pela participação privilegiada de alguns na partilha do botim orçamentário, em detrimento dos outros. Em poucas palavras, é para esconder o direcionamento dos melhores lotes de recursos para uns poucos amigos do articulador-geral.

Em matéria de centrão, o maior inimigo está mesmo dentro de casa. É um jogo de espertalhões enganando espertalhões que precisa do disfarce da emenda de um só, portanto anônima e sem endereço, que beneficia arbitrariamente um ou outro, de acordo com a avaliação e o interesse do presidente da Câmara, o articulador-geral, e do relator-geral, Márcio Bittar. Kafka faria miséria com essa dupla: o articulador geral e o relator-geral, ambos escondendo seus feitos com manobras político-burocráticas.

As emendas do relator não eram anônimas, tinham nome e endereço certos. Eram, sim, secretas. Aí está o problema. Conhecidos os destinatários, eles seriam poucos para os tanto colaboracionistas do pacto Lira-Bolsonaro. E esta disparidade na distribuição das "bolsas-lealdade" causaria inevitáveis insatisfações, mágoas e ressentimentos. Esses sentimentos inspiram retaliações e traições em plenário.

Agora estão à cata de um novo disfarce, imaginando que, desta vez, o STF deixará passar, para não causar mais stress na relação entre os poderes. É tudo uma questão de saber quem estará do lado certo da história, essa juíza mais implacável que a ministra Rosa Weber.

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