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A eleição na Alemanha mostrou que pode estar emergindo um novo padrão eleitoral. O partido de Angela Merkel, CDU, teve sua pior eleição dos últimos pleitos. O SPD, da social democracia, ressurgiu das cinzas, onde ficou por muito tempo. Os Verdes avançaram, embora a imprensa registre o resultado como decepcionante, porque as pesquisas haviam mostrado o partido na frente. Mas, o que conta é a comparação entre os resultados das urnas passadas e o presente. O resto, é expectativa. O FDP ficou estável. A extrema direita recuou.

A social democracia só não liderará o novo governo, se não souber negociar. Pesquisa do Civei Institut publicada nesta segunda-feira (27/9) pelo Der Spiegel, mostra que 63% preferem que o candidato do SPD, Olaf Scholz lidere o próximo governo. Somente 24% preferem o conservador Armin Laschet (CDU). Mesmo os eleiores dos dois partidos aliados que formaram a base do governo de Merkel, CDU e CSU, 18% também prefere o líder adversário, Scholz, e outros 20% estão indecisos. Entre os eleitores do FDP, 45% também preferem renovação e que a CDU fique na oposição.

O Der Spiegel também anunciou que os verdes, que devem ficar com a terceira bancada no parlamento, e o FDP, a quarta, concordaram em se encontrar para acertarem uma posição comum nas negociações para a coalizão de governo. Um acordo entre eles não deve ser difícil. O partido Verde é, hoje, o que está mais mais centro entre os partidos da esquerda alemã e o FDP é o que está mais ao centro, entre os da direita. Além disso, têm um forte incentivo: quele que eles escolherem, será o primeiro-ministro, o que lhes dá grande poder de barganha.

O mais provável é que a maioria revelada pela sondagem do Civei seja atendida. Se Scholz souber negociar, a próxima coalizão de governo será liderada por ele, o que chamam coalizão "semáforo" porque tem as cores dos três partidos SDP (vermelho) Verde (verde) e FDP (amarelo). O partido Verde não diz quem será vice-chanceler, o cargo de primeiro-ministro na Alemanha é denominado chanceler, se Annalena Baerbock ou Robert Habeck. Como o vice-chanceler pelo FDP será Christian Lindner e o governo liderado por Scholz, o mais provável é que termine sendo Annalena Baerbock, evitando um governo todo de cabeças masculinas. Seria um retrocesso após o sucesso de Angela Merkel. O mesmo aconteceria se o líder viesse a ser Armin  Laschet da CDU.

O que alguns analistas argumentam é que Habeck tem experiência de governo, pois foi vice-premier no estado de Schleswig-Holstein could e Baerbock, não. O partido se divide entre os dois, que têm perspectivas diferentes, Annalena Baerbock insiste mais firmemente na necessidade de que o próximo, seja um governo climático, bem mais ambicioso nas metas de descarbonização do que o governo de Merkel. Robert Habeck estaria mais disposto a acomodar a visão dos verdes e aquelas dos outros partidos do governo.

O que os resultados na Alemanha podem indicar é um novo padrão eleitoral pós-pandemia, no qual os eleitores querem mudança real em relação à situação representada pelo governo anterior. Nem por isso a maioria deixa de admirar Angela Merkel e aprovar seu desempenho. Mas, sem Merkel, querem novidade. A maioria dos entrevistados diz desejar uma "nova era" para a Alemanha.

A onda de desejo de renovação pode ter começado, na verdade, com a coalizão inédita pelo pluralismo que apoiou a vitória de Biden nos EUA. Esses resultados na Alemanha podem estar confirmando essa tendência e firmando a possibilidade de um novo padrão eleitoral pós-pandemia. Que a pandemia representou um corte no que vinha acontecendo na sociedade e na política dos países e desviou o processo econômico, é certo. Esse corte pode ter estimulado o desejo de mudança, que se expressaria nesse novo padrão.

No caso dos EUA e da Alemanha, a mudança foi de governos mais conservadores, para governos em tese mais progressistas. O governo Biden é muito conservador em algumas questões como imigração e política externa e tem sido mais progressista na política ambiental e climática, no combate à pandemia e na política de inclusão.

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