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Enfim, termina a pior semana de nossas vidas em muito tempo, de toda o que chamo Terceira República, a república instaurada pela Constituição de 1988. O Brasil atingiu a marca macabra de 4 mil mortos por Covid-19 em 24 horas. Mais de 320 brasileiros já perderam a vida mortos para essa doença insidiosa que que Bolsonaro nos seus delírios palacianos não vê, não reconhece e não quer saber. Temos um presidente perigoso e um Congresso desfibrilado. Se a maioria de nossos congressistas tivesse fibra cívica suficiente, teria escolhido para presidir as Mesas da Casa, parlamentares com musculatura para dar início e fim ao processo de impeachment. Os crimes são tão claros, que o processo seria breve. Se o STF ajustasse as regras, para que os procedimentos adotassem os acertos do impeachment de Collor e de Dilma e ficassem livres dos erros que fizeram de ambos processos arbitrários, ajudaria muito.

Em uma semana, Bolsonaro investiu contra os governadores, negou a importância da pandemia, mentiu dizendo que faz tudo que pode no seu combate. Ele faz tudo que pode sim, mas para atrapalhar, confundir, emperrar o combate à doença que é uma ameaça existencial aos brasileiros. Criou uma crise militar, expôs um de seus generais-ministros ao decrédito junto à corporação, por forçá-lo a agir contra as posições do estado maior das Forças Armadas. Demitiu os comandantes das três armas, apenas para satisfazer seu ego torto tomado por delírios de poder e grandeza. Mas as almas mesquinhas jamais serão capazes de grandeza. Inventou uma crise no pior momento da pandemia, com as mortes atingindo números impensáveis, os insumos para intubação escasseando e o fluxo de vacinas ainda em ritmo lento. Ficou claro que os cronogramas do Governo Federal, do Ministério da Saúde, eram mentirosos. Delirantes. É o governo do delírio.

A crise militar não passou com a troca de ministros. Há combustível para reacendê-la, na contrariedade de Bolsonaro em nomear o novo comandante do Exército e no desejo majoritário das forças de se afastarem de um governo fracassado. Desaguou em uma crise política já armada. As mortes nesse volume diário sinistro atingem as bases eleitorais dos parlamentares, que mostram crescente insatisfação com o Congresso e rejeição a Bolsonaro. Não há dinheiro ou cargo que faça a maioria do centrão alheio às reclamações de seus cabos eleitorais e eleitores em ano pré-eleitoral. É o que explica o sinal de alerta de Arthur Lira e as críticas moderadíssimas de Rodrigo Pacheco. O afastamento se ampliará com o embroglio do orçamento, resultado da inépcia da equipe econômica do governo e da comissão de orçamento, principalmente de seu relator. Faz falta ao país uma oposição efetiva.

Some-se essas duas crises à crise-mãe da pandemia, com seus reflexos na economia e na sociedade e temos uma crise sistêmica. Obra integralmente de Bolsonaro. As instituições não querem enfrentá-lo e pôr um fim a tanta sandice. Preferem ficar enviando alertas vagos e imprecisos, enquanto os cadáveres empilham nas suas cidades e estados. Até quando?

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