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Com as revelações de Sérgio Moro sobre a pressão de Bolsonaro para demitir o Superintendente da Polícia Federal a verdadeira face do governo ficou clara. Bolsonaro tirou a máscara de paladino do combate à corrupção. Foram quatro evidências recentes de suas verdadeiras intenções. A mudança no ministério da Saúde, para interromper a gestão de precaução da pandemia. O plano Pro-Brasil, um híbrido mal ajambrado dos planos de desenvolvimento do período militar e do corte e cola de programas de gaveta do PAC do governo Dilma Rousseff. A demissão do Superintendente da Polícia Federal, para poder bloquear investigações e inquéritos que ameaçam sua família e, no limite, a ele próprio. As negociações com a escória do Congresso Nacional, formada por políticos condenados nos dois grandes escândalos de corrupção político-empresarial, o Mensalão e a Lava Jato. Ícones da velha e corrupta política brasileira, como Roberto Jefferson e Valdemar da Costa Neto. Uma aliança suja com o objetivo bloquear a liderança de Rodrigo Maia na Câmara dos Deputados.Está faltando a queimação final, do ministro da Economia. Para rasgar a fantasia de liberal.

A fieira de crimes de responsabilidade, contra a administração pública e de violações à Constituição de Bolsonaro é muito maior do que as razões alegadas para os impeachments de Collor e Dilma. Este, não passa de um governo da pequena política, de motivações mesquinhas e de domínio do clã familiar.

Bolsonaro não faz aliados. Do mesmo modo que lhe falta qualquer faculdade para a empatia, falta-lhe a capacidade de ser leal àqueles que se dispõem a cooperar com ele. Nunca os vê como colaboradores, mas como submissos. Sua mentalidade autoritária não admite o que sente como desrespeito à sua autoridade. Sua personalidade impulsiva o faz agir sem medir consequências.

O desconforto entre os que ainda o cercam cresce a cada uma destas demonstrações de que não ouve conselhos, não pensa nos outros, não avalia o peso e o custo de seus atos. Jamais pensará na reputação dos auxiliares que força a convalidar seus desatinos. Moro cedeu em vários momentos, até o limite em que teria que hipotecar sua reputação de juiz e a admiração de grande maioria da opinião pública por seu papel no julgamento da Lava Jato. O ex-juiz saiu do governo melhor do que entrou. Perdeu parte da imagem ao sair da magistratura para a política. Recuperou boa parte do conceito ao sair falando a verdade.

O governo de um presidente impulsivo, compulsivo e autoritário, não tem futuro bom. Seu desempenho será sempre comprometido pelos efeitos colaterais que provoca. Um governante que só opera por confronto não pode gerar mais do que crise política permanente. Um governante que sempre põe o sentimento pessoal e os interesses de seu clã acima dos interesses da Nação, não tem como seguir na trilha constitucional. Será sempre um governante infrator. A questão é saber até quando as elites que viabilizaram sua chegada ao poder tolerarão seus impulsos e desmandos.

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