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A sucessão no Congresso pode ser um desafio importante para os eleitos, para os partidos e o para presidente. Rodrigo Maia usou sua experiência e maleabilidade para se reeleger no primeiro turno e conseguiu. Obteve votos de todas as correntes políticas. Mas errou na mão, tentando conquistar a confiança do Planalto. Fez concessões caras ao PSL, como entregar-lhe a Comissão de Constituição e Justiça. O bloco formado pelo PSL ficará com a presidência de quinze comissões, entre elas a CCJ e a de Finanças. O bloco é dominado por parlamentares sem experiência e sem liderança efetiva. No Senado, a presidência foi conquistada por um senador em primeiro mandato, sem liderança, Davi Alcolumbre (DEM-AP). Terá no plenário matilha de raposas experientes dispostas a dificultar sua gestão encabeçada por Calheiros.


O MDB cometeu o erro estratégico de apontar Renan Calheiros (MDB-AL) e não Simone Tebet (MDB-MTS) como candidato a presidente do Senado. Ficou fora da Mesa Diretora do Senado pela primeira vez, desde a renúncia do mesmo Calheiros, para se livrar da Comissão de Ética, em 2007. O senador retirou sua candidatura ao verificar que perdera o apoio de seus principais aliados, entre eles o PSDB. Agora, o principal nome do partido no Senado, Tasso Jereissati, articula um grupo para apoiar o inexperiente senador que presidirá a Casa pelos próximos dois anos.


Esse tipo de presidência fraca, dependente da ajuda de lideranças fortes para comandar uma casa do Legislativo nunca deu certo. Os veteranos podem aconselhar, proteger em determinadas circunstâncias, mas, nas horas de maior calor no plenário, em que se espalham armadilhas e obstáculos, o processo de deliberação assenta-se irremediavemente na capacidade de decisão rápida e solitária da presidência. Há limite para esse escoramento político e não é provável que a convergência momentânea, surgida principalmente em razão da má escolha do MDB, sobreviva aos naturais conflitos de opinião e interesses do dia-a-dia da política. A maioria de Alcolumbre é circunstancial e dificilmente será forte o suficiente para enfrentar os embates previsíveis e as crises quase inevitáveis ao longo deste biênio.


A maioria de Rodrigo Maia teve construção mais robusta, mas não está isenta de pontos de fragilidade e rachaduras. É heterogênea demais e embute conflitos insanáveis que aflorarão nos momentos mais decisivos. Não é crível que consiga persitente apoio tanto da banda aliada ao presidente Bolsonaro, quanto da banda esquerda, de oposição ao governo, ambas peças importantes de sua vitória. Além disso, Maia criou espaço para armadilhas e impasses em comissões-chave, como a CCJ e a de Finanças e Tributação, ao entregá-las a um partido de neófitos.


Para o governo, o quadro, de aparente vitória, não é confortador. O presidente não tem uma coalizão a apoiá-lo. As coalizões que elegeram Maia e Alcolumbre são eleitorais, portanto efêmeras, e não podem ser consideradas governistas. Os dois foram eleitos com votos de oposicionistas. Além disso, Maia contraiu dívidas políticas de campanha que podem levá-lo a contrariar interesses do governo.


Esse quadro não é muito alentador para um governo de agenda controversa e que não é consensual nem mesmo entre os membros do próprio Executivo.

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