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Há mais certezas sendo expressas na imprensa sobre o resultado das eleições, do que nossa experiência eleitoral garante. No entorno de 20 dias das eleições, nos dois últimos pleitos presidenciais, o desvio padrão médio das diferenças entre as intenções de voto e o resultado das urnas era de 5,6 pontos percentuais, no Ibope, e de 5,3 pontos, no Datafolha.

Erro? Não, volatilidade. A pesquisa é, sim, um retrato de um momento muito específico e curto, retirado de uma amostra do eleitorado. A campanha é dinâmica, fluida, as intenções de voto voláteis e abarcam o universo inteiro dos eleitores. Os eventos que influenciam o eleitor são inumeráveis, muitos deles idiossincráticos, e não param de surgir. As predisposições do eleitorado mudam de acordo. Vão e vêm. Como ondas, ora a favor de uns candidatos, ora a favor de outros. Favoritismos, empates, se desfazem, num piscar de olhos.

Se o desvio médio é de cinco pontos, a variância é de 25 pontos. O que isto quer dizer? Que as diferenças entre as intenções de votos captadas pelos eleitores para cada candidatura e o resultado obtido na urna varia numa amplitude muito maior.

Por exemplo, em 2014, a 18 dias do voto, no Datafolha, o desvio era de 4,7 pontos. Dilma tinha 4,6 pontos a menos do que obteria nas urnas, Marina tinha 8,7 pontos a mais e Aécio 16,6 pontos a menos. Cinco dias antes da eleição, Aécio ainda tinha 13,6 pontos a menos de intenções de voto, do que o percentual de votos que obteria nas urnas.

Outro exemplo, no Ibope, em 2014, o desvio médio a 19 dias do voto, era de 4,8 pontos. Dilma tinha 5,6 pontos a menos; Marina, 8,7 pontos a mais; e Aécio 14,6 pontos a menos.

Não são erros. São movimentos nas intenções dos eleitores inapreensíveis por uma pesquisa pontual e amostral. A volatilidade em 2010 e 2014 foi elevada até a boca da urna. E eram eleições com apenas três candidatos competitivos. Agora em 2018, temos pelos menos cinco candidatos competitivos.

São incontáveis os eventos intervenientes nas tendências do eleitorado. Entre eles destacam-se o ataque a Bolsonaro e as dificuldades na recuperação da cirurgia; as prisões no PSDB; a impugnação de Lula; as decisões do ministro Dias Toffoli beneficiando pessoas ligadas ao PT na Lava Jato. Mas há outros tantos fatos localizados que afetam os eleitores de forma insuspeita. Com essa quantidade de eventos inesperados, seria estranho que a volatilidade nos próximos dias fosse menor ou igual às volatilidades de 2010 e 2014, ou mesmo à volatilidade média desses dois pleitos. O mais provável é que seja maior.

As diferenças entre o Datafolha e o Ibope também não podem ser vistas como erros de um ou de outro. Diferentes desenhos amostrais, métodos de coleta e datas de coleta distintos captam movimentos discrepantes desse universo de eleitores em movimento. Quanto maior o nervosismo da conjuntura, maior esse dinamismo das visões dos eleitores.

A eleição presidencial é ainda um jogo aberto, indefinido e nenhum candidato está assegurado no segundo turno. A disputa é intensa por um eleitor confuso, exasperado, bombardeado por uma quantidade de informação que não consegue processar e que, portanto, vai mudando de humor e propósito ao sabor da conjuntura.

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