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A pesquisa do Datafolha, divulgada nesta quarta-feira (22) mostra o mesmo movimento que o Ibope divulgado na segunda-feira (20), com resultado numéricos e algumas perguntas diferentes. A variação numérica se deve, muito provavelmente, a diferenças amostrais e a datas de campo. As duas apontam na mesma direção, ainda pouco visível diante de tantas indefinições, a começar pela candidatura do PT, que presidiu o país nos últimos 13 anos.

Lula, na espontânea, caiu de 17%, em janeiro/2018, para 13%, em abril, para 10%, em junho. Em agosto, subiu para 20%. O Datafolha vinha confirmando, até agora, a hipótese do efeito-condenação na popularidade e nas intenções de voto, enunciada pelo politólogo Carlos Pereira em análise comparada de diferentes países. A subida de agosto pode se explicar pela exposição do nome de Lula, cuja força de recall obscurece associações a contextos negativos, como registrei na análise da mais recente rodada da pesquisa eleitoral do Ibope. Mauro Paulino e Alessandro Janoni, do Datafolha, atribuem esse crescimento ao "registro da candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e principalmente sua repercussão, despertam parte importante do eleitorado, que, nos últimos meses, com sua prisão, mostrava-se letárgica". É outra explicação plausível.

Bolsonaro também subiu três pontos na espontânea, passando de 12%, em junho, para 15%, em agosto. Nenhum outro candidato tem menções superiores a 1%-2%. Bolsonaro parece ter atingido seu ápice usando o poderio digital que conquistou. Agora, terá que conseguir a proeza de neutralizar a campanha convencional, na qual terá pouca visibilidade, com essa artilharia digital. Sua rejeição é muito alta, 39% neste Datafolha de agosto, sete pontos acima da registrada em junho, de 32%. Esse movimento merece nota. Suas intenções de voto subiram três pontos, mas sua rejeição aumentou em sete.

O índice de indecisão/nulos/brancos continua elevadíssimo, 55% na espontânea, com 14% branco/nulo/nenhum e 41% de indecisos. Um eleitorado volante, que não tem a cabeça feita e que pode aderir a qualquer uma das candidaturas ao longo da campanha, ou migrar para a alienação eleitoral.

Na pesquisa estimulada, Lula lidera com 39%. Bolsonaro tem 19%, Marina Silva, 8%, Geraldo Alckmin 6%, Ciro Gomes, 5%. Os cenários de junho não são inteiramente comparáveis com os de agosto, porque estavam muito mais contaminados com nomes de outros candidatos, descartados após os pedidos de registro de candidaturas.

No cenário estimulado, com Haddad na cabeça de chapa do PT, o petista registra apenas 4%. A liderança é de Bolsonaro, com 22%, portanto ganha três pontos com a saída de Lula. Em seguida, Marina Silva, com 16%, dobrando suas intenções de votos. Herda, portanto, 8 pontos que iriam para Lula. Logo depois, Ciro Gomes, com 10%, também o dobro, beneficiando-se em cinco pontos com a retirada do nome de Lula. Geraldo Alckmin, com 9%, vem colado em Ciro, com três pontos a mais. Ou seja, sem a confirmação oficial da candidatura de Haddad, os votos lulistas se dispersam, beneficiando mais a Marina e Ciro.

O Datafolha, como o Ibope, preocupou-se em buscar alguma forma de estimar o potencial de transferência de votos de Lula. À pergunta se o apoio de Lula levaria o entrevistado a votar nesse candidato, 48% disseram que não votariam e 31% afirmaram que, com certeza votariam. Outros 18% responderam que talvez votassem. À pergunta, caso Lula não seja candidato, que candidato ele apoiará, 17% identificaram Haddad, 10%, Marina, 6%, Ciro, 4%, Alckmin e 4%, Bolsonaro.

A primeira questão oferece pistas para dois pontos distintos. O primeiro, a continuidade da polarização lulismo x antilulismo, expressa no "não" de 48% e no "sim" de 31%. O segundo, os limites que Haddad terá que superar. Além disso, pelo Datafolha se vê que Haddad ainda não é conhecido por 27% dos eleitores e sua rejeição é baixa, de 21%.

Na ausência do dedo de Lula apontando Haddad como seu continuador, os votos do lulismo se dispersam. Migram rumo à centro-esquerda 13 pontos (Marina, 8, e Ciro, 3); 8 pontos vão para a centro-direita e direita (Alckmin, 5, Álvaro Dias, 1, Meirelles, 1, e Bolsonaro, 3). Quatro pontos vão para Haddad. Outros 14 pontos restantes se somam à indecisão/brancos/nulos.

O Datafolha, como o Ibope, não ajuda a muito a responder as perguntas decisivas para esta eleição. A polarização PT x PSDB se reafirmará? Para que ela ressurja Alckmin e Haddad terão que cruzar um longo e acidentado espaço, superar várias barreiras, até as urnas, em muito pouco tempo. Os dois terão mais recursos convencionais do que seus concorrentes. Mas esses recursos convencionais serão suficientes? Os recursos digitais terão papel mais saliente nestas eleições? A polarização lulismo x antilulismo, captada por pesquisas acadêmicas se manifestará? Os eleitores flutuantes, que oscilam entre os dois polos se inclinarão para a centro-esquerda, como nas eleições de 2002, 2006, 2010 e 2014? Ou, desta vez, rumarão para a centro-direta? Se não houver essa polarização no primeiro turno, aumentam as chances de dois candidatos no segundo turno que não pertençam aos partidos "presidenciais", PT e PSDB? Por enquanto, Bolsonaro, Marina e Ciro somam mais votos que os dois juntos, na hipótese de impugnação da candidatura de Lula.

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