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O PSDB não perde a oportunidade de perder a oportunidade de se diferenciar do padrão moral uniforme definido pelo PMDB, como dizia Márcio Moreira Alves. Já havia patinado, no Mensalão, quando foi revelada a participação de seu então presidente, Eduardo Azeredo (PSDB-MG), hoje condenado em segunda instância a 20 anos de prisão e inelegível. Naquela ocasião, não só ficou solidário com Azeredo, como recuou da posição mais agressiva que adotava na CPI que investigava as propinas para cimentar coalizões e financiamento ilegal de campanhas. Agora, faz o mesmo com o senador Aécio Neves (PSDB-MG) e pela segunda vez. Desde a prova contundente de que o senador pedira dinheiro, ainda que a título particular, a Joesley Batista, da JBS, o partido deveria tê-lo afastado da presidência. Agora, diante da reiteração pela 1a turma do Supremo Tribunal Federal, não aproveitou a oportunidade para afastá-lo da presidência, como articula a contestação da decisão do Judiciário no plenário do Senado.

Se o partido não tem um código de ética, deveria ter. E, nele, certamente pedir ou receber favores monetários pessoais a empresários no exercício do mandato, ainda que a título particular, deveria estar capitulado como falta grave, passível de exclusão dos quadros do partido. Em nenhum partido sério, nas democracias plenas, seria diferente. Ao manter-se solidário com o senador, o PSDB escolhe ficar misturado aos partidos enredados no processo de desmoralização e corrupção que se instalou no sistema partidário brasileiro. Nas organizações partidárias não há lugar para solidariedade particular. Esta pertence ao terreno das relações pessoais. Na vida da organização partidária prevalece sempre a solidariedade aos princípios, ideias e projetos políticos do partido. Partido é uma organização contratual para realização de seus objetivos programáticos e estatutários. Esse tipo de amparo a pessoas para evitar a investigação e punição de seus atos não é solidariedade, é conluio. Espera-se que ocorra em organizações criminosas, mas não em organizações políticas. Afastar políticos flagrados em atos de corrupção ou graves deslizes éticos não é prejulgar, nem condenar sem o devido processo legal. É um ato de autodefesa da integridade política do partido.

Essa argumentação vale também para o PT, que elegeu para sua presidência uma senadora que é ré em processo por corrupção político-eleitoral. PSDB e PT não polarizaram a disputa presidencial, entre 1994 e 2016, por acaso. Conquistaram essa posição porque se diferenciavam dos partidos clientelistas, dedicados à patronagem e à corrupção, que dominaram a política na Segunda República e mantiveram essas práticas nesta Terceira República. Uma das razões pelas quais A Terceira República vive um momento crítico, de graves falhas institucionais. Ao se deixarem enredar nessa rede pegajosa de más práticas políticas, PSDB e PT estão perdendo visivelmente a credibilidade. O país ficou sem alternativas sérias à esquerda, ao centro e à direita. Pela direita há tentativas de ocupar o espaço vazio. Pela esquerda, a Rede, que poderia seguir nessa direção, tem comportamento internamente contraditório e não se apresenta explícita e coesamente como alternativa crítica. Na centro-esquerda, o PSDB naufragou em suas próprias vacilações. Na centro-direita, tampouco apareceu ainda proposta nova convincente. Sem renovação política, o avanço da Lava Jato e da ação punitiva do Judiciário, indispensável e meritória na luta contra a corrupção, deixará apenas espaços vazios. À falta de novas forças políticas para ocupá-los, dar-se-á não mais que a reciclagem do clientelismo.

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