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Há muito debate sobre preferências eleitorais reveladas pelas pesquisas, para pouca base. A última pesquisa do Datafolha, objeto de acaloradas discussões, sobre quem subiu e quem desceu, não dá razão a nenhum dos lados. O que ela, de fato, revela é que os eleitores estão indecisos, indiferentes, ou pouco dispostos a votar. Mas, 56% preferem um governo democrático, informa nova pesquisa Datafolha. A esta distância das urnas, sem candidaturas firmes e com tantas indefinições, isso não me espanta. O que as respostas espontâneas no Datafolha informam é que 46% não sabem dizer em quem pretendem votar e 21% indicam que votarão nulo ou branco. Em outras palavras, 67% das pessoas não sabem em quem votarão ou têm a intenção de anular seu voto. Ao longo da campanha, esses 46% de indecisos escolherão um candidato e dificilmente reproduzirão o perfil das escolhas hoje indicadas nas respostas estimuladas.

É o quadro eleitoral mais incerto, cheio de dúvidas, desde 1989, aí incluída esta eleição. Alta incerteza leva a alta volatilidade dos eleitores. Ainda assim, é provável que os 21% hoje dispostos a anular seu voto, sejam a única indicação firme de tendência.A média de nulos/brancos nas eleições presidenciais do período 1989-2014 foi de 12,5%. O pico foi nos anos 1998 e 2002, quando chegaram a 19% e o mínimo foi na primeira eleição para presidente da Terceira República, de 6%. Esses 21% da pesquisa espontânea para 2018 podem estar a indicar que teremos um novo pico, se nenhum candidato conseguir seduzir esse eleitor que prefere ficar de fora. Além disso, a taxa de abstenção média no período foi de 29%. O máximo de abstenção ocorreu em 1998, 40% não compareceram. O mínimo foi em 1989, 17%. Essa taxa subiu de 25%, em 2010, para 29%, em 2014. Podemos ter uma eleição com um grau muito alto do que chamamos de alienação eleitoral, abstenção mais nulos e brancos.

O exame das intenções de voto espontâneas, mostra que, hoje, só dois candidatos têm eleitores prontos a marcar seu nome na urna. Lula, que é lembrado por 13%, eram 17% em janeiro, e Bolsonaro, mencionado por 11%, sem mudança relevante desde novembro do ano passado, quando teve 11% de menções. Ambos têm em comum o voto de uma base bem definida. No caso de Lula, o eleitor fiel do PT. Dos que se dizem simpatizantes do PT, 35% indicam que votarão em Lula. A eles se se soma o eleitor lulista. Este último, votaria em Lula, sem dúvida, mas não necessariamente no candidato do PT ou indicado por Lula.

O outro, tem um forte contingente de voto entre militares, sobretudo suboficiais, inclusive das polícias militares, dos quais tem sido o representante fiel no Congresso. A maioria absoluta de seus projetos e iniciativas é em defesa do soldo. É um candidato de uma categoria definida, à qual se soma o eleitor de direita, que deseja um governo repressivo e autoritário.

Lula, quando se elegeu, foi capaz de agregar a seu eleitorado segmentos da classe média e média alta. Essa capacidade mais elástica para abarcar um eleitorado mais diversificado pode não estar entre as aptidões de Bolsonaro. Um deputado com desempenho parlamentar bastante acanhado, sem esboço de liderança política.

Creio possível dizer que, dando Lula por inelegível, esta eleição está em aberto, sem favoritismos. Os candidatos terão que se esforçar, no curto período de campanha, para conquistar um eleitor cético, indeciso e desconfiado dos políticos. Em geral, a ausência de favoritos é bom para a democracia. Não poder prever o resultado final estimula o eleitor a pensar melhor nas escolhas que faz.

A pesquisa do Datafolha mais recente, mostra que esse eleitor é majoritariamente favorável à Lava Jato, 84% desejam que ela continue e 57% acham que a prisão após a sentença confirmada em 2o turno é o mais justo. Mas, está pessimista, 51% pensam que a corrupção continuará na mesma e só 37% que irá diminuir. A proporção dos pessimistas está crescendo e a dos otimistas, caindo, provavelmente em razão dos sucessos, pelo menos temporários, da operação abafa que tem livrado muitos políticos da cadeira e produzido habeas corpus seriais que comprometem as investigações.

Mas o ceticismo do eleitor não o fará descuidar da preocupação com a corrupção nas eleições. Ela é o principal problema para 21%. O tema da segurança/violência, é o mais importante para 13%. Saúde, com 19%, e educação, com 10%, marcam a preocupação com o social. Isso indica que dois macrotemas dividirão a atenção dos eleitores: corrupção/segurança pública, mencionados por 34% como os mais importantes problemas de hoje; e a questão social, que tem prioridade para 29%. Se somarmos a esse bloco o desemprego, que tem uma dimensão social evidente, embora de raiz econômica, o macrotema socioeconômico, tem 42%.

Essa é a agenda que provavelmente definirá as eleições. De um lado, a demanda por respostas efetivas para coibir a corrupção e melhorar a segurança pública. De outro lado, a demanda por respostas que funcionem para atender às necessidade sociais do povo. Tendem a levar a melhor os candidatos que apresentarem propostas críveis que ofereçam encaminhamento para os dois macroproblemas em um mesmo programa de governo.

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