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Vivemos uma crise global sem precedentes, em níveis profundos e variados. Para o sociólogo e cientista político Sérgio Abranches a crise é de tal magnitude que estaríamos em plena “mudança de era”, isto é, um período de ampla transição, um processo não linear capaz de colocar em xeque nossos padrões civilizatórios e nossa capacidade de sobrevivência. O futuro é incerto e nenhuma seta parece nos orientar. É preciso encontrar um caminho para uma vida mais digna e democrática; mas, como
seres da transição, só temos respostas provisórias.

Com uma corajosa experimentação de ideias, Abranches desenvolve neste livro uma reflexão abrangente sobre os paradigmas fundantes do atual momento capitalista — os principais processos que, entre pêndulos de destruição e de criação, nos trouxeram até aqui. Também busca traçar possibilidades para o futuro que se avizinha. E o faz da maneira mais livre possível: na forma de um ensaio de utopia, sem se deixar aprisionar pela complexidade e pela incerteza, marcas desse turning point incalculável, nos dando a impressão de estarmos em um filme de ficção científica sem roteiro definido.

Aliás, é nas páginas de autores do gênero que Abranches encontra muitas das caracterizações e conceitos que vislumbram um porvir plausível. Também conclama, com força ainda maior, a filosofia, a história, a economia, a psicologia, a antropologia e a biologia como guias para seus questionamentos: E. O. Wilson, Z. Bauman, T. Piketty, E. Levinas, R. Koselleck, Marx, Flusser, Rousseau, entre outros, são seus mais caros
interlocutores.

Em meio ao rearranjo das macroestruturas e imerso na sociedade em rede, está o indivíduo, cuja importância, em vez de diminuir, segundo Abranches não cessa de crescer; um novo sujeito político, que precisa se preparar para a resposta à pergunta: “Como dar sentido a essa vida em turbilhão?”.

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